Sinto uma brisa fresca que, levemente, vai subindo pelas minhas costas, sinto um arrepio livre e suave a percorrer a minha pele e sei que é ele, sei que chegou... Sinto-o, com cada parte do meu corpo ,sei que não é suficientemente nobre para ficar e é apenas passageiro, mas mesmo assim tem um efeito duro em mim... É como uma espécie de criminoso escondido numa esquina que vai lançando o seu veneno ao vento... sinto-o correr pelas minhas veias, queimando tudo por onde passa e a deixar um inconfundível ardor, pequeno, apenas para marcar presença... Passam-se escassos segundos que mais parece uma eternidade... E então atinge o meu cérebro, o meu mundo, a minha mente e iniciasse o turbilhão de pensamentos que vai girando cada vez mais rude e veloz, começam a chover pensamentos horríveis, ideias más e terríveis vontades... As poucas forças que não abandonaram o meu corpo lutam desesperadamente por me libertar deste sentimento, tentando a todo o custo fazer com que desapareça rapidamente, mas o facto é que ele está aqui a consumir-me a alma como quem se delicia com um bom manjar... Desejo arduamente não o sentir, arranca-lo de mim e lança-lo para bem longe de olhos vendados para que não volte.... E de repente com a mesma subtileza com que apareceu volta para a escuridão de onde veio deixando apenas as cicatrizes para me relembrar de que ele existe e consigo novamente respirar... Sei que no fundo ele não desapareceu, apenas se esconde nas profundezas da minha alma pronto para me atacar a todo o momento e então descanso como um guerreiro após uma longa batalha...
Recupero vagarosamente e vou lambendo as feridas até tudo estar bem outra vez e então sinto uma brisa fresca...
E agora um momento de culto à minha pessoa... Avé Moi!!!
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