Estou aqui mas sinto que flutuo... Portanto não estou aqui, apenas o meu corpo está... A minha mente vagueia entre a ficção que criou para fugir da realidade triste e cruel... A minha alma viaja por mundos esquecidos tentando encontrar-se, tentando encontrar-me... O meu pensamento saltita entre realidades paralelas distraindo-se e enganando-se...
E é bom que assim seja... é que bom que estejam distraídos e ausentes por tempo indeterminado porque receio o dia em que voltem a encontrar-se com o meu corpo... Receio o reencontro com a realidade que ele representa...
O meu corpo vive escravo desta dura realidade que o rodeia, limitado ao seu pequeno canto como se mais nada existisse para além das paredes imaginárias desta prisão... Mas o resto, aquilo que me define, aquilo que faz de mim o que sou, aquilo que me torna em mim, todo esse complexo é livre, puramente livre...
Temo então, o dia do seu regresso, do seu confronto com esta prisão sem grades e com a sentença de viver aprisionados para sempre... Temo esse instante porque será o momento da minha morte...
E agora um momento de culto à minha pessoa... Avé Moi!!

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